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Caboclinhos do Carnaval

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Caboclinho. [Do  tupi kari’uoka (< kara’iua ’homem branco’ + ’oka ’casa’) ½ caboclo 1781, cauoucolo  1645, cabocolo  1648.] S.m.  Grupo fantasiado de indígenas, com pequenas flautas e pífanos percorrem as ruas nos dias de carnaval. Executam um bailado primário, ritimado ao som da pancada das flechas nos arcos, fingindo ataque e defesa, em série de saltos e simples troca-pés. Não há enredo nem fio temático nesse bailado, cuja significação visível será a da apresentação das danças indígenas aos brancos, nos dias de festa militar ou religiosa. Outrora os caboclinhos visitavam os pátios das igrejas antes do alardo nas ruas, lembrados da passada função homenageadora. É uma reminescência do antigo desfile indígena, com a dança, os instrumentos de sopro e o ruído dos arcos guerreiros. Até pouco tempo, era reservado aos homens: "Desarreda do caminho,/ dá o fora pessoal,/ nós somos caboclinhos,/ também temos carnaval" (música popular). [Var.: Cabocolinho.]

Fonte: "Dicionário do Carnaval de Pernambuco", Profª. Nelly Medeiros de Carvalho e Sophia Karlla Almeida Mota (Universidade Federal  de Pernambuco)

Uma das mais belas manifestações do carnaval pernambucano está na evolução das tribos de caboclinhos que passam, quase que em disparada pelas ruas do centro e subúrbio ao som de um pequeno conjunto e na marcação das preacas a produzir um estalido característico na percussão da flecha ou seta contra o arco, com seus estandartes esvoaçantes e a beleza de suas fantasias. Se no maracatu está toda a herança das nações de negros, no caboclinho vamos encontrar a presença do índio que, como primitivo dono da terra, mantém durante o carnaval as suas danças e lendas que contam a glória dos seus antepassados.

Originários da mescla indígena, os caboclinhos, ou como na fala popular "cabocolinhos", expressam um forte sentimento nativista. São homens, mulheres e crianças que apresentam vigorosas coreografias em ritmo marcado pelas preacas (espécie de arco e flecha de madeira). São algumas características essenciais do Caboclinho: a dança guerreira, o cunho religioso propiciatório de boa colheita ou caçada, a recitação de versos e etc. Talvez seja a mais antiga dança do Brasil, pois seu primeiro registro data de 1584, quando citado pelo Padre Fernão Cardim no seu livro "Tratado e Terra da Gente do Brasil".

A religião está presente na manifestação por meio dos cultos indígenas, a pajelança, religião dos antepassados. É na Jurema ou Catimbó, como é popularmente conhecida, onde atua a maioria dos mestres e caboclos. Alguns grupos diferem desta linha, cultuando religiões afro-brasileiras, ligadas a terreiros de Xangô e Umbanda.

Os caboclinhos historicamente têm relação com o culto da Jurema. A Jurema é uma árvore nativa do Brasil, de caule tortuoso, cujas folhas, raízes e casca servem para uso medicinal e para o preparo de uma bebida que integra o ritual da Jurema Sagrada. Os componentes de um grupo de caboclinhos que vivência a religiosidade não desfilam no carnaval sem antes tomar a bebida de Jurema.

Inicialmente os integrantes de caboclinhos eram apenas homens, que durante o carnaval passavam de três a quatro dias fora de casa. Hoje a apresentação normalmente inicia com o porta-estandarte (podendo haver mais de um), seguido de dois cordões de caboclos e caboclas. No centro o cacique (responsável pelas coreografias) e a cacica (ou mãe da tribo). O desfile também conta com a presença do Pajé (ou curandeiro, orientador espiritual do grupo); Matruá (representa um feiticeiro); Capitão (chefe de uma das alas); Tenente (chefe da outra ala); Perós (crianças da tribo) e dos caboclos de baque.

O Caboclinho é com certeza uma das presenças mais originais do carnaval do Recife. As danças ou evoluções variam de um grupo para outro. Geralmente ocorrem em duas fileiras (cordões), podem trazer alas, com coreografias que representam situações criadas e recriadas pelos mestres e brincantes. De maneira geral, evoluem com agilidade, agacham-se, levantam-se e rodopiam nas pontas dos pés e calcanhares, em três momentos específicos: Guerra, Baião e Perré, determinados pela mudança do ritmo. A dança é forte e rápida, exigindo destreza, desenvoltura dos participantes e muita resistência física. Alguns grupos também apresentam o Toré ou Macumba, o Traidor (destaque das preacas marcando o ritmo), a Emboscada (disputa de dois grupos) e Aldeia (dança em círculo). A beleza plástica das jovens índias, a forte coreografia dos caboclos e a variedade de cores do conjunto, dão um toque de destaque ao grupo.

As fantasias eram confeccionadas com fibras de agave (sisal), penas de peru e de pato. Depois começaram a usar penas de pavão, de ema e plumas, exibindo um visual mais rico. Alguns materiais tradicionais ainda são utilizados atualmente nas fantasias e nos instrumentos, principalmente o cipó, a madeira de jenipapo e o bambu. A indumentária é composta por atacas (de pé e mão), saiotes e tangas, confeccionada com penas e plumas, lantejoulas, contas, búzios, espelhos, vidrilhos, cordas e sementes. Os adereços de cabeça são bastante diversificados: cocares, capacetes, cabeleiras, diademas, girassóis e leques, decorados com penas e lantejoulas. Apresentam-se descalços. As mulheres usam vistosas tangas e sutiãs bordados, cocares ou leques, munhecas para os pulsos e atacas para os tornozelos. Já os homens se apresentam com uma tanga, o peitoral, munhecas e atacas, cocar ou leque. Também usam como adorno machadinhas de madeira e pequenas cabaças amarradas no cipó aos braços ou na cintura.

O baque é composto por caracaxás (maracas de zinco ou flandre ou exeres) ou mineiros, tarol, surdo e gaita ou flautim (de taquara, também chamado inúbia), podendo haver atabaque. As músicas normalmente são instrumentais, havendo grupos que recitam versos heróico-nativistas ou loas. Musicalmente, mantém forte ligação com os cultos de origem indígenas e é possível reconhecer elementos orientais (indu, chinês, árabe, ameríndio, incaico), sem nenhuma referência européia, presente na maioria dos outros folguedos.

Tradicionalmente os Caboclinhos têm feito suas apresentações no Recife, emOlinda, Nazaré da Mata, Carpina, Tracunhaém, Camaragibe, São Lourenço, Paudalho e em outros estados, como Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

TRIBOS DE CABOCLINHOS
• Caboclinhos Canindés - fundada em 1897
• Carijós - fundada em 1897
• Taperaguases - fundada em 1916
• Caboclo Tupy - fundada em 1933
• Caboclinhos Tabajaras - fundada em 1956
• Tapirapés - fundada em 1957

Estas são algumas das Tribos de Caboclinhos que fazem a beleza do carnaval de Pernambuco.

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Palavras-chave: Nordeste, Carnaval